Leilão Bidspirit | Caietani, Thome de Vio [Tommaso


Caietani, Thome de Vio [Tommaso de Vio; Cajetan] – SUMMA CAIETANA DE PECCATIS. ET NOVI TESTAMETI IENTACULA. Lugduni. Antonij du Ry para Jacobi de Giunta. M.cccccxxvij [1527] - AS05LT06 – Caietani, Thome de Vio [Tommaso de Vio; Cajetan] – SUMMA CAIETANA DE PECCATIS. ET NOVI TESTAMETI IENTACULA. Lugduni [Lyon; Lião]. Antonij du Ry [Antoine du Ry] para Jacobi de Giunta [Jacopo di Giunta; Jacques Giunta]. M.cccccxxvij [1527]. [10] ccciiij [1] fls. num. 14 cm x 9,6 cm. E. — Cont. com: — Idem – JẼNTACULA NOVI TESTAMENTI CARDINALIS SANCTI SIXTI. Lugduni [Lyon; Lião]. Antonij du Ry [Antoine du Ry] para Jacobi de Giunta [Jacopo di Giunta; Jacques Giunta]. M.D.xxvij [1527]. cxxxi [1] fls. num. Célebre summula levada à prensa ainda em vida do cardeal titular da basílica romana de Santo Sisto, o dominicano Tommaso de Vio (1469 – 1534), dito o Gaetano (Caetano; Cajetan, &c.), que ficou para a história por ter sido carregado a ombros após vencer argumentação contra Pico della Mirandola em Ferrara, por ter chegado a Mestre-geral dos Padres Pregadores e, sobretudo, por ter sido um dos poucos clérigos da Igreja de Roma que conseguiu enfrentar temerariamente Martinho Lutero, num encontro entre ambos na célebre Dieta de Augsburgo (1518); e, entre outros tantos episódios de grande importância histórica, por ter sido também, mais tarde, um dos principais redactores da bula Exsurge Domine (1520), que proclamava este como herege se não renunciasse às suas proposições. De Vio seria também o escriba da renúncia papal à anulação do casamento entre Henrique VIII de Inglaterra e Catarina de Aragão e um dos principais diplomatas responsáveis pela eleição de Carlos V como Imperador do Sacro-Império, que, por isso mesmo, o viria a agraciar. Personalidade importantíssima nos destinos da Europa moderna, exerceria grande influência na Cúria como conselheiro e diplomata nos papados de Júlio II, Adriano VI, Leão X e Clemente VII. Trata-se aqui de duas obras de teologia moral, necessariamente tomista, dado o autor consagrado como tal: a primeira constituindo-se num compêndio de diversos pecados, seguidos de comentários e explanações, e a segunda uma análise mais teológica, respondendo a várias « questiones » sobre predicados exegéticos contidos no Novo Testamento. Estas duas obras foram levadas aos prelos da oficina do impressor Antoine du Ry (act. 1516 – 1533) pelo importante negociante de livros Jacques Giunta [Jacopo di Giunta] (1486 – 1546). Giunta teve uma importância fundamental no desenvolvimento da actividade livreira da antiga Lugdunum da sua época, tendo incentivado a impressão de dezenas de obras no período pós-incunabular, e teve depósitos nalgumas das mais importantes cidades europeias, incluindo Lisboa (Baudrier, 1964, p. 78). Ambos os volumes contêm, por isso, a sua respectiva marca xilogravada pós-cólofon ( id. , ibid. , p. 98), surgindo esta com a flor-de-lis em motivo altaneiro, assim destacando a sua origem como « florentini ». A mesma aparece na segunda folha de rosto da Summa . Ambas as obras contêm a indicação de terem sido revistas por Joannem Danielis, do qual nada mais se sabe, à excepção de ter sido bacharel em Teologia e o revisor de quase todas as obras publicadas pelo Cardeal Gaetano; tendo sido por isso, muito provavelmente, seu amigo da maior confiança. Esta segunda versão lionesa de 1527 (a primeira, também de Giunta, foi impressa em Roma, em 1525, conhecendo-se uma outra Summa impressa em Colónia [Köln] por Peter Quentel em 1526, e uma Ientacula impressa em Paris por Claude Chevallon, no mesmo ano), é muito rara, aparecendo dela muito poucos exemplares em bibliotecas públicas mundiais, não tendo sequer sido elencada por Baudrier no seu catálogo de Giunta (1964, pp. 77 – 223). A avaliar pelas diferentes edições iniciais onde esta se conta, estes textos tiveram fama e continuaram a ser publicados e a ser estudados nos anos e séculos seguintes. Como curiosidade, pode indicar-se uma versão impressa por António de Mariz (ou de Maris) em Braga, em 1566, organizada pelo frade de hábito alvinegro Diogo do Rosário e promovida « por mando » do célebre Arcebispo Primaz das Hespanhas, Frei Bartolomeu dos Mártires, também ele dominicano e recentemente canonizado. Este exemplar é aqui valorizado pela continuação com a Ientacula . São dois volumes de grande esmero e cuidado gráfico, impressos a mancha única de 31 linhas, primando tanto na escolha de papel de boa qualidade, como na composição dos frontispícios com as armas de Caetano e das capitulares xilogravadas com motivos florais, por vezes denotando já a gramática icnográfica plena do renascimento. Bom estado geral de conservação. Encadernação monástica coeva, com fechos metálicos intactos e nervuras subtis; pastas ornadas com ferros a seco sobre couro natural, com motivos geométricos rectangulares e diagonais encerrados em cercadura fitomórfica. Manuseada e com pequenas perdas, sobretudo à cabeça da lombada e em dois dos três nervos.