Leilão Bidspirit | Baudelaire, Charles - LES FLEURS


Baudelaire, Charles - LES FLEURS DU MAL. Paris. Poulet-Malassis et de Broise. 1857. 248 (4) pp. 18,7 cm x 12,2 cm. E em cx. - 1.ª edição de uma tiragem de apenas 1.300 exs. deste que foi um dos livros de poesia mais influentes do cânone ocidental. Contém os seis poemas posteriormente censurados: «Les Bijoux», «Le Léthé», «À celle qui est trop gaie», «Lesbos», «Femmes damnées» e «Les Métamorphoses du vampire». A censura destes versos «escandalosos» pelo Tribunal de la Seine levou à apreensão e mutilação de cerca de  230 exs. desta edição, tendo este exemplar escapado ao expurgo. Esta edição identifica-se pelas seguintes particularidades: «Feurs» no cabeçalho das pp. 31 e 108; a p. 45 está numerada por engano como p. 44; e a última palavra da primeira linha da p. 201 impressa como «captieux» em vez de «capiteux». Les Fleurs du mal  marcou profundamente a história da poesia ocidental moderna. Conhecido até então sobretudo como crítico de arte, Baudelaire aspirava a deixar uma marca literária duradoura. Pelos anos de 1840 começou a escrever poemas de tom sombrio e provocador, onde exprimia o seu desencanto perante a banalidade e a corrupção moral da vida urbana moderna. Esta primeira edição provocou escândalo e admiração em igual medida. Um ano depois, o Estado francês processou o autor e o editor por «ofensa à moral pública», exigindo a supressão de seis poemas considerados indecorosos, que este exemplar contém. Apesar da censura, o Tribunal de la Seine reconheceu o valor literário do conjunto. O título da obra fora sugerido a Baudelaire pelo seu amigo Hippolyte Babou, e simboliza precisamente essa tensão entre o belo e o corrupto, entre a pureza da arte e a decadência moral. A estrutura da obra, organizada em secções como «Spleen et Idéal», «Fleurs du mal», «Révolte», «Le Vin e La Mort», reflecte a luta interior do poeta entre o desejo de elevação e o peso da melancolia, da atracção da carne e da perdição. Poemas como «La Beauté», «Le Serpent qui danse» ou «L’Invitation au voyage» revelam o contraste constante entre ideal e abismo. Com o tempo, novas edições acrescentaram poemas e consolidaram a obra como uma das mais influentes do século XIX, dando corpo a uma revolução poética que complementava todas as outras revoluções artísticas que surgiam em França e um pouco por toda a Europa. A sua linguagem musical, o imaginário urbano e o fascínio pela beleza decadente fizeram de «Les Fleurs du mal» um ponto de viragem na poesia ocidental — um espelho da modernidade e das suas contradições. Proveniência: De acordo com o actual proprietário, este exemplar pertenceu ao importante psicanalista, escritor e poeta brasileiro Carlos Fernando Fortes de Almeida (Rio de Janeiro, 11 de maio de 1936 - Rio de Janeiro, 6 de outubro de 2016). Mais conhecido por Fernando Fortes, chegou a Presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise e foi também um autor prolífico de contos, de romances, de teatro e de poesia, tendo sido premiado várias vezes. Pessoa muito bem relacionada no meio artístico e cultural do Rio de Janeiro, privou com alguns dos grandes artistas e escritores brasileiros do século passado e inícios deste milénio.  Após a sua morte, o exemplar passou para as mãos de um reputado pianista e cultor da literatura e poesia francesas, tendo com ele cruzado o Atlântico. Bom estado geral de conservação. Encadernação sólida meia-amador de feitura posterior em caixa própria, apenas levemente manuseada. Corte dourado à cabeça. Não conserva as capas de brochura. Interior em geral limpo com muito esporádicos e muito ténues picos de acidez, um pouco mais presentes nas guardas de abertura e fecho. Minúscula falha de suporte na margem externa da última folha, provavelmente provocada ainda no prelo.