Leilão Bidspirit | Saresberi[en]sis, Johãnis [Salisbury, John of]


Saresberi[en]sis, Johãnis [Salisbury, John of] - POLICRATICUS DE NUGIS CURIALIU[M] ET VESTIGIJS PH[ILOSOPH]O[RUM], [PER]TINE[NTE]S LIBROS OCTO. [Lyon]. Constantin Fradin. 1513. [12] 375 fls. 15,5 cm x 9,5 cm. E. - Título na portada: Saresberiẽsis, Johãnis [Salisbury, John of] - POLICRATICUS DE NUGIS CURIALIŨ ET VESTIGIJS PƼOꝜ, ɁTINẼS LIBROS OCTO. [Lyon]. Constantin Fradin. 1513. [12] 375 fls. 15,5 cm x 9,5 cm. E. Cólfon: Iohannis saresberiensis / policraticus de nu // gis curialium & vestigijs philosophorum / in // octo partitus libros partiales: finitur. Curauit // imprimi honestus vir Constantinus fradin bi // bliopola Anno dñi M. ccccc.&.xiij. Extre // ma manus apposita fuit eodẽ anno.xvij Ka // lendas Maij. Pós-incunábulo desta que é considerada a primeira grande obra de teoria política da Idade Média concluída c. de 1159. O ”Policraticus” constitui uma reflexão inovadora sobre o poder, a lei e a moral do governo cristão. Dividido em oito livros, o tratado inicia-se com uma crítica mordaz às frivolidades da corte — as nugæ curialium — e evolui para uma construção filosófico-política em que o Estado é concebido como um corpo vivo, cada classe desempenhando a sua função sob a direcção do príncipe, cabeça do organismo social. João de Salisbury (c. 1115-20 †1180), erudito inglês formado em Paris e testemunha do assassínio de Tomás Becket, defende nestas páginas que o verdadeiro príncipe governa como servo da lei e do bem comum, distinguindo-se do tirano que governa para si próprio. O autor vai mais longe ao admitir, em termos teológicos e jurídicos, a legitimidade do tiranicídio — uma ideia de audácia invulgar para o século XII. Combinando fontes clássicas e cristãs, o ”Policraticus” funde a herança de Platão, de Cícero, do direito romano e da doutrina moral da Igreja, antecipando concepções que marcarão a filosofia política ocidental. É uma obra capital do pensamento medieval e uma das primeiras tentativas sistemáticas de definir os limites éticos do poder. Por esta razão, alguns autores ligam este quadro mental inaugurado por Salisbury às origens da Magna Carta, ouvindo-se-lhe os ecos nas alegações dos barões ingleses perante o rei João de Inglaterra; ou então nas páginas de ”Utopia”, de Thomas More. Por todas estas razões, e se continuarmos a puxar os fios das Parcas, iremos, em última instância e por inerência, parar à formação dos sistemas democráticos modernos. Bom estado geral de conservação. Encadernação posterior em pergaminho; cadarços em falta. Ligeiramente aparado com corte tintado e goteira. Restauro no pé da folha de rosto devido a falência de suporte. Interior em geral muito limpo e em papel sonante, com ocasionais manchas ténues de humidade. Com sublinhados e marginalia coeva.