Leilão Bidspirit | [ESPANHA. OBRA PIONEIRA. APOCALIPSE. MILENARISMO.


[ESPANHA. OBRA PIONEIRA. APOCALIPSE. MILENARISMO. RELIGIÃO] Riberae, Francisci (Francisco de Ribera) – THEOLOGI IN SACRAM B. JOHANNIS APOSTOLI. Salmaticae. Excudebat Petrus Lassus. 1591. (8) 333 (26) pp. 29 cm x 20,5 cm. E. - — Enc. com: — Riberae, Francisci – LIBRI DI TEMPLO. Salmaticae. Excudebat Petrus Lassus. 1591. [6] – 222 – [17] pp. 29 cm. E. «Cum completi fuerint milli anni renovabitur mundus a deo e coelum complicabitur e terra mutabitur transfomabit Deus homines in similitudine angelorum. Tunc siet secunda resurrectuio, in qua excitabuntur iniusti ad cruciatus sempiternos (…)». (p. 285) 1.ª edição desta obra, considerada por diversos académicos como um livro pioneiro do milenarismo. O trabalho de Ribera viria a influenciar outros autores (como Cornelius a Lapide ou o Padre António Vieira, como se verá adiante) sendo que alguns deles encarregaram-se de difundir esta “profecia” (milenarista) apocalíptica um pouco por toda a Europa, o que viria a ter consequências algo inesperadas. Partilhamos um excerto de um artigo do Professor António Vitor Sanches Ferreira Ribeiro, intitulado «O império de um profeta sereno: ensaio de decifração do pensamento do padre António Vieira», para que se perceba um pouco a importância e o contexto desta obra: «(…) Embora tenha frutificado principalmente no mundo protestante, esta tipologia profética parece ter tido início nos escritos de alguns jesuítas. Identificado como a origem de toda esta viragem surge o jesuíta Francisco Ribera e a sua interpretação do Apocalipse (…). O continuador de Ribera seria um outro jesuíta, o flamengo Cornelius a Lapide. Como o próprio referiu no seu processo inquisitorial, Cornelius foi uma fonte fundamental para Vieira no que diz respeito à interpretação do livro do Apocalipse. Cita-o, em particular, num ponto que parece ter perturbado os inquisidores: a destruição de Roma, identificada como a grande meretriz da Babilónia (…) Paralelamente à novidade trazida por Ribera e Cornelius, a exegese profética sofreria uma evolução em Inglaterra. Por volta de 1600 estabeleceu-se nesse país um núcleo de hebraístas encarregues de traduzir uma “versão autorizada” do Antigo Testamento. Por esta via, os académicos ingleses tiveram acesso à exegese judaica das Escrituras. A partir dessa altura os judeus começaram a ser vistos cada vez mais como uma peça fundamental para o cumprimento das profecias (…)- Assim, os exegetas ingleses começaram a ligar a destruição de Roma à conversão dos hebreus. Esta profetizada queda de Roma é um dos aspetos negligenciados do processo de Vieira e que o ligam a um pensamento apocalíptico estranho ao contexto português.» A segunda obra, «Libri di Templo», é um pequeno tratado sobre a origem do Templo de Salomão, os seus ritos, &c. No início e no final do volume encontram-se apensas duas folhas manuscritas em latim (com caligrafia que aparenta ser do século XVI), escritas a duas cores (ver imagem). Exemplar encadernado. Dois volumes encadernados num só tomo. Encadernação inteira em pergaminho. A primeira obra apresenta um rasgão no fólio G7 e no fólio X5. A segunda obra apresenta um rasgão que afecta o texto no fólio B3. Interior com mancha de acidez à cabeça, que por vezes provoca deterioração do papel (sem afectar o texto). Restante interior manuseado, com acidez mas em bom estado geral de conservação. Raro. Palau 266867.