Leilão Bidspirit | Leon Hebreu [Judá Abravanel] –


Leon Hebreu [Judá Abravanel] – PHILOSOPHIE D'AMOUR DE M. LEON HEBREU, &c. Lyon. Benoist Rigaud. 1595. 816 (47) pp. 12 cm x 8 cm. B. - « Contenant les grands & hauts poincts, desquels elle traite, tant pour les choses Morales & Naturelles, que pour les diuines & supernatureles ». Edição francesa de Lyon de 1595, traduzida do italiano pelo Seigneur du Parc [Denys Sauvage (1520 - 1587)], « Champenois ». Obra-prima do grande filósofo português Judá Abravanel (Lisboa, c. 1465 – Itália, c. 1535), filho do rabino e conselheiro do Rei D. Afonso V, que forma, com Pedro da Fonseca e Francisco Sanches, a trindade maior do pensamento filosófico português do século XVI. A primeira edição italiana, «Dialogi d'Amore», foi publicada postumamente em Roma, em 1535, por Antonio Blado d'Assola — raríssima, conhecendo-se apenas dois exemplares: um deles na Biblioteca nazionale centrale di Roma e um outro que pertenceu ao filósofo, historiador e político italiano Benedetto Croce. Os «Diálogos de Amor», redigidos c. 1502, são um diálogo entre Fílon — o amor — e Sofia — a sabedoria, onde Abravanel expõe a sua doutrina neoplatónica segundo a qual o amor é o fundamento ontológico do real, concebido não apenas como sentimental mas também como intelectual. Pelo amor, Deus criou; e pelo amor a criatura regressa a Deus. Obra de influência colossal no Renascimento, foi traduzida para português, francês, espanhol, inglês, latim, hebraico e outras línguas. Montaigne, que possuía um exemplar na sua biblioteca, escreveu: «Mon page faict l'amour, lisez-luy Léon Hébreu et Ficin». A sua influência prolongou-se por um século mais, quando Spinoza — descendente, precisamente, de judeus portugueses — lhe tomou de emprestado o conceito de amor intellectualis Dei. Encadernação da época em pergaminho flexível. Pequenos trabalhos do bicho na margem exterior, tocando por vezes na mancha, sem grande expressão. Peça de colecção.