Leilão Bidspirit | Heliodoro [de Émesa] – LA
Heliodoro [de Émesa] – LA HISTORIA DE LOS DOS LEALES AMANTES THEAGENES Y CHARICLEA. Paris. En la Emprenta de Pedro Le-Mur. 1616. (4) 240 fls. 14 cm × 9 cm. E. - Terceira edição em castelhano da Historia Etiópica ou Teágenes e Cariclea, de Heliodoro de Émesa, a primeira grande novela que começa in medias res , e segunda impressão da tradução de Fernando de Mena, médico e humanista de Toledo, feita a partir do latim e confrontada com o grego. Vista e corregida por César Oudin (c. 1560 - 1625), secretário-intérprete das ”lenguas alemana, italiana e española do rey de Francia Henrique IV e Luís XIII”, e primeiro tradutor do Don Quixote para francês (1614), Oudin foi também editor da Galatea de Cervantes em Paris, em 1611, e esta edição do Heliodoro integra-se no seu programa de difusão da literatura espanhola através da prensa parisiense de Pedro Le Mur. Heliodoro de Émesa (III ou IV século), sírio de Émesa, descendente do Sol, como ele mesmo declara no último verso da sua obra, escreveu esta novela em grego nos seus dez livros. O manuscrito foi redescoberto em 1526, na biblioteca do rei Matthias Corvinus, em Buda, e impresso pela primeira vez em Basileia, em 1534. Seguiram-se rapidamente várias traduções: para francês por Jacques Amyot, em 1547, para latim por Stanislaus Warschewiczki, em 1551, para italiano em 1556 e para inglês por Thomas Underdowne, em 1569. A primeira versão em castelhano, anónima e feita a partir da francesa de Amyot, apareceu em Antuérpia, em 1554; a segunda, obra de Fernando de Mena e derivada do latim cotejado com o grego, foi publicada em Alcalá de Henares em 1587, sendo esta edição parisiense de 1616 a sua segunda impressão. A obra exerceu uma influência formidável sobre a literatura europeia. A sua estrutura narrativa — o começo in medias res , a alternância de vozes, os segredos mantidos pelo narrador — foi imitada por Torquato Tasso na sua célebre Jerusalem Libertada e por Miguel de Cervantes nos Trabajos de Persiles y Sigismunda, que López Estrada definiu como a versão espanhola do ideário literário europeu que representa a Historia Etiópica. Lope de Vega, Gracián e Calderón beberam também desta fonte. Jean Racine declarou que a obra de Heliodoro era o seu livro mais amado e que o tinha lido tantas vezes que o havia memorizado de princípio a fim. Encadernação da época em pergaminho. Pequena mancha no pé da frontispício. Miolo em excelente estado de conservação. Peça de colecção. Palau 112869.