Leilão Bidspirit | Costa, Fernandes - HYMNO DO
Costa, Fernandes - HYMNO DO CENTENARIO DA INDIA. Lisboa. Imprensa Nacional. 1897. 14 (2) pp. 24,5 cm x 16 cm. B. - Hino composto pelo autor no anno do centenário da partida de Vasco da Gama na viagem que mudaria Portugal e o mundo para sempre. Este importante hino não foi apenas escrito como um canto de exaltação histórica: o texto procurava transformar a memória da viagem à Índia numa mensagem patriótica para o presente, ligando a glória das navegações a uma ideia de missão nacional e imperial na turbulência que se seguiu ao humilhante Ultimato Inglês de 1890 — os hinos funcionavam, assim, como motor de alarme de consciência nacional para a situação das colónias. Relembre-se que foi neste contexto que nasceu A Portugueza , actual hino nacional. Neste hino de Costa, musicado por Augusto Machado ( que demostra-se bem estas ideias, com referências como «do futuro os impérios fundar!», «Marinheiros da patria Gama, // Eis o largo, eis a nossa attracção!». José Fernandes Costa (1848-1920) foi militar, poeta e publicista e uma figura bastante activa na cultura portuguesa de finais de oitocentos. Já Augusto Machado (1845-1924) foi um compositor português de de grande relevo na viragem do séc. XIX para o séc. XX. Particularmente ligado ao teatro lírico de finais de oitocentos, formou-se em Lisboa e em Paris, onde contactou com Camille Saint-Saëns e Massenet. Distinguiu-se como autor de óperas, música vocal e peças ocasionais de aparato patriótico, como este “Hymno do Centenário da Índia” (1897). Foi ainda director do Conservatório, ocupando lugar assinalável na vida musical portuguesa do seu tempo. No plano cultural, pertenceu ao círculo de Eça de Queiroz e Batalha Reis, sendo por vezes referido como possível modelo da célebre personagem d' Os Maias , o músico Cruges. Edição de grande apuro gráfico impressa em bom papel de algodão. Valorizado com dedicatória de Fernandes Costa para José Miguel d'Abreu, provavelmente o professor de desenho na Universidade e no Liceu de Coimbra, autor de compêndios didácticos de desenho muito usados no ensino português de fins do século XIX e começos do XX. Bom estado geral de conservação. Apesar da tiragem de 1.000 exs. indicada no verso do anterrosto, na tentativa de que fosse muito circulada, é hoje uma obra rara no mercado.