Leilão Bidspirit | Hatherly, Ana - PIRÂMIDES, OBELISCOS,


Hatherly, Ana - PIRÂMIDES, OBELISCOS, MAUSOLÉUS E LISONJAS DO BARROCO PORTUGUÊS. Sep. de Colóquio / Artes, n.º 66. Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian. 1985. 30 cm x 23 cm. B. - Obra da ensaísta e poeta Ana Hatherly (1929-2015), publicada como separata da revista «Colóquio / Artes» (n.º 66, 1985), este estudo prolonga e aprofunda a investigação que a autora vinha conduzindo sobre as formas visuais e retóricas do Barroco português. Sob um título que enuncia as principais topografias simbólicas do período, Hatherly examina um conjunto de composições poéticas seiscentistas cujas configurações gráficas adoptam as formas de pirâmides, obeliscos, mausoléus e lisonjas — figuras geométricas e arquitectónicas que, ao materializar-se na página, transformam o poema num objecto simultaneamente verbal e visual. A autora inscreve estas práticas na longa tradição dos carmina figurata, rastreando as suas origens clássicas e helenísticas e demonstrando a vitalidade com que foram cultivadas em Portugal durante o século XVII, em particular nos contextos fúnebres e encomiásticos que caracterizavam a poesia de circunstância do Barroco ibérico. O ensaio articula rigor filológico e consciência poética, reafirmando a continuidade entre a experimentação barroca e as vanguardas do século XX — argumento central de toda a obra de Hatherly enquanto investigadora. Ana Hatherly (1929-2015), poeta, ensaísta, ficcionista e artista plástica, foi uma das vozes mais singulares da cultura portuguesa do século XX. Doutorada em Literatura Comparada e professora nas Universidades de Lisboa e Nova de Lisboa, dedicou parte substancial da sua investigação à recuperação e reinterpretação das tradições visuais e retóricas do Maneirismo e do Barroco ibéricos, nelas reconhecendo os antecedentes legítimos da poesia experimental contemporânea. Co-editora, com E. M. de Melo e Castro, de «PO.EX: Textos Teóricos e Documentos da Poesia Experimental Portuguesa» (1981), e autora de estudos fundamentais como ”A Experiência do Prodígio” (1983), Hatherly construiu uma obra de investigação que é, ela própria, um acto poético — a tentativa de demonstrar que a história da poesia visual não começa nas vanguardas do século XX, mas atravessa séculos de experimentação esquecida ou menorizada. Bom estado geral de conservação. Miolo limpo.