Leilão Bidspirit | Castro, Fernanda de - EXÍLIO


Castro, Fernanda de - EXÍLIO POEMAS. Lisboa. Livraria Bertrand. 1952. 178 (2) pp. 19 cm x 14 cm. B. - Obra da maturidade de Fernanda de Castro, «Exílio» (1952) organiza-se em torno da metáfora que dá nome ao volume: o sentimento de não pertença ao mundo, o desajuste entre o interior e o exterior, a condição de quem atravessa a vida sempre à margem de qualquer pátria definitiva. Situado entre «Daquém e Dalém Alma» (1941) e «Asa no Espaço» (1955), é o momento mais sombrio e meditativo da trajectória poética da autora. A poesia do volume move-se entre a fé e a dúvida, entre o rigor espiritual e a aceitação do humano imperfeito. Esta ambivalência, o exílio ao mesmo tempo como perda e como chamada à acção, define a voz inconfundível de uma autora que sabia fazer do riso e da alegria formas de inspiração tão legítimas quanto a melancolia, numa lírica portuguesa então dominada pelo luto. Fernanda de Castro (1900-1994) nasceu e morreu em Lisboa. Estreou-se em 1919, com dezanove anos, com «Ante-Manhã», e ao longo de sete décadas de actividade literária publicou poesia, romances, peças de teatro e literatura infantil, traduzindo ainda Rilke, Katherine Mansfield, Pirandello e Ionesco. Casada com António Ferro — escritor e director do Secretariado de Propaganda Nacional —, pertenceu ao centro da vida cultural europeia dos anos vinte, frequentando em Paris o círculo de Francis Picabia, Arthur Honegger e Eric Satie. Foi mãe de António Quadros [vide Lote 46]. Fundou e dirigiu a Associação Nacional dos Parques Infantis e recebeu, em 1990, o Prémio de Literatura Infantil da Fundação Calouste Gulbenkian. Extremamente valorizado por dedicatória autógrafa para a pintora Maria Helena Vieira da Silva, uma das figuras mais altas da história da arte portuguesa. Capas de brochura e miolo limpo.