Leilão Bidspirit | [ASSINADO] Andrade, Eugénio de - PUREZA.


[ASSINADO] Andrade, Eugénio de - PUREZA. Lisboa. Livraria Francesa. 1945. 53 (7) pp. 20 cm x 15 cm. B. - Primeira edição de ”Pureza” (1945), o último dos livros de juventude que o autor viria a repudiar e a apartar do seu cânone. Considerou-o, como aos anteriores ”Narciso” e ”Adolescente”, excessivamente juvenil, e dele apenas resgataria um punhado de poemas, mais tarde reunidos em ”Primeiros poemas” (1977). Tal condenação, ao impedir reedições autónomas, fez da tiragem original uma peça escassa — tanto mais procurada quanto antecede de imediato a consagração alcançada com ”As mãos e os frutos” (1948). Saído dos anos de formação, passados entre Lisboa e Coimbra, sob o ascendente de Camilo Pessanha e o estímulo inicial de António Botto, o livro deixa, ainda assim, entrever a voz que haveria de afirmar-se: a musicalidade depurada, o gosto da claridade e do corpo, a economia de meios que viria a fazer do autor um dos mais límpidos líricos portugueses do século XX. Daí o interesse documental que a severidade do próprio juízo não chega a apagar. Eugénio de Andrade (1923-2005), pseudónimo de José Fontinhas, nasceu na Póvoa de Atalaia, na Beira Baixa, e desde 1932 viveu em Lisboa, junto da mãe, figura central da sua poética. Estreou-se em 1939, ainda com o nome civil, vindo a adoptar o pseudónimo a partir de ”Adolescente”. Nos anos de Coimbra conviveu com Miguel Torga, Carlos de Oliveira e Eduardo Lourenço, e em 1947 ingressou no funcionalismo público. Reconhecido a partir de 1948, ergueu uma das obras maiores da lírica portuguesa contemporânea, traduzida em numerosas línguas e, a seguir a Pessoa, a mais vertida para fora do país. Fixou-se no Porto, onde morreu em 2005. Assinatura de Eugénio de Andrade na folha de anterrosto. Ilustrados com belos desenhos de Manuel Ribeiro de Pavia [vide tb. Lote 33]. Capas de brochura e miolo limpo. Assinado e neste estado de conservação, uma indubitável peça de colecção.