Leilão Bidspirit | Mourão-Ferreira, David - MATURA IDADE.


Mourão-Ferreira, David - MATURA IDADE. s.l. [Lisboa]. Arcádia. 1973. 89 (1) pp. 20,7 cm x 13,5 cm. B. - Recolha dos poemas escritos entre 1966 e 1972, ”Matura Idade” surge no imediato seguimento do ”Cancioneiro de Natal” (1971), que lhe valera o Prémio Nacional de Poesia, e inaugura a Colecção Licorne — uma das mais cuidadas iniciativas editoriais da poesia portuguesa dos anos setenta. O título, de ressonância latina, fixa o programa: estes poemas são a voz de uma consciência em plena maturidade, fazendo o inventário do amor, do tempo e da perda com a lucidez e a elegância formal que definem o melhor da lírica davidiana. O volume é marcado pela obsessão do tempo vivido e pela sua transmutação em memória afectiva: ”E por vezes” — o poema mais emblemático do livro, e um dos mais conhecidos da poesia portuguesa do século — constrói, através de uma anáfora hipnótica, as variações da percepção temporal conforme o estado do sujeito. Mourão-Ferreira afirma aqui uma voz inconfundível: a do poeta que trabalha as formas clássicas — o soneto, a canção, a ode — sem abrir mão da sensibilidade moderna. David Mourão-Ferreira (1927-1996) nasceu e morreu em Lisboa. Licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa, onde foi catedrático de Teoria da Literatura e Literatura Portuguesa durante mais de três décadas, estreou-se na poesia em 1950 com ”A Secreta Viagem”. Foi director de ”Colóquio/Letras” e um dos mais activos difusores da literatura portuguesa na rádio e na televisão. A sua obra — poesia, ficção, teatro, ensaio e tradução — valeu-lhe onze prémios literários e traduções nas principais línguas europeias; ”Um Amor Feliz” (1986), o romance que o consagrou como ficcionista, é considerado um dos grandes livros da prosa portuguesa contemporânea. Entre bruscos lençóis de gritos fomos feitos Com lenços de vogais saudámos o universo Capas ligeiramente manuseadas. Interior muito limpo.