Leilão Bidspirit | Gyrão, Antonio Lobo de Barbosa


Gyrão, Antonio Lobo de Barbosa Ferreira Teixeira - MEMORIA HISTORICA E ANALYTICA SOBRE A COMPANHIA DOS VINHOS DENOMINADA DA AGRICULTURA DAS VINHAS DO ALTO DOURO. Lisboa. Na Imprensa Nacional. 1833. 331 (1) pp. 19,8 x 13,3 cm. E. - Primeira edição desta memória fundamental para a história do Vinho do Porto e da chamada «questão vinhateira», que opôs, ao longo de quase um século, os defensores do regime proteccionista instituído por Pombal aos partidários da liberdade de produção e comércio dos vinhos do Douro. Publicada em 1833, em plena guerra civil e no rescaldo do cerco do Porto, durante o qual grande parte dos vinhos armazenados em Vila Nova de Gaia se perdeu no incêndio dos armazéns da Companhia, a obra traça a história da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro desde a sua fundação, em 1756, e analisa criticamente os poderes, exclusivos e abusos que a tornaram alvo de contestação desde a primeira hora. Saiu poucos meses antes da extinção da Companhia enquanto organismo de regulação estatal, decretada a 30 de Maio de 1834, mas o autor não se limita a pedir-lhe o fim. Liberal convicto, Gyrão defendia a extinção da Companhia, mas não do sistema restritivo, e atacava a legislação liberal que suprimira a demarcação, propondo antes a sua actualização, com o alargamento da região demarcada e a sua divisão por freguesias. Posição matizada que faz do livro, ainda hoje, uma fonte citada pelos historiadores do Douro, desde os preços e colheitas do período pombalino até às devassas contra os lavradores da região. Antonio Lobo de Barbosa Ferreira Teixeira Gyrão, duriense de origem, deputado às Cortes Vintistas, onde em 1821 e 1822 interveio no debate sobre a reforma ou extinção da Companhia, e à data Prefeito da Província de Trás-os-Montes, viria a ser agraciado com o título de 1.º Visconde de Vilarinho de São Romão. Encadernação meia-inglesa coeva. Corte inteiro jaspeado. Assinatura de posse oitocentista na folha de rosto e catalogação manuscrita no canto superior. Interior imaculado em papel sonante, como é apanágio desta fase da história da impressão portuguesa. Extremamente raro.