Leilão Bidspirit | [PORTO; GAIA; CANELAS; CIÊNCIA; TEATRO]


[PORTO; GAIA; CANELAS; CIÊNCIA; TEATRO] Lacerda, Armando de - ALMAS REVÔLTAS: TRAGÉDIA EM QUATRO ACTOS. Porto. Edição do autor [Tipografia Marques]. 1926. 413 (3) pp. 17,3 x 12,5 cm. B. - Raríssimo volume desta obra do célebre cientista portuense. Trata-se de uma tragédia em quatro actos, com capa magnífica, pela mão de João Carlos. Dedicatória autógrafa do autor ao notável médico de Canelas, o Dr. Francisco Barrigas de Carvalho, datada de Coimbra, Março de 1945. Armando de Lacerda (1902-1984), de seu nome completo Armando Soeiro Moreira de Lacerda, nasceu no Porto e licenciou-se em Filologia Germânica na primeira Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em 1930, com 17 valores. No ano seguinte partiu para a Alemanha como bolseiro da Junta de Educação Nacional, a fim de se especializar em fonética experimental. Em Hamburgo concebeu o seu primeiro aparelho, o labiógrafo inscritor oral; em Bona, sob a orientação de Paul Menzerath, criou o electro-cromógrafo, o tonómetro multiplicador e o tonómetro, e um novo método de registo dos sons da linguagem, a Cromografia, que aquela universidade o convidou a ensinar. Apresentou o policromógrafo no I Congresso Internacional de Ciências Fonéticas de Amesterdão, em 1932, merecendo de E. W. Scripture o elogio de que o seu trabalho era «do melhor que se tem publicado na fonética experimental». Regressado a Portugal em 1935, fundou e dirigiu, com o apoio do Instituto para a Alta Cultura, o primeiro Laboratório de Fonética Experimental do País, na Faculdade de Letras de Coimbra, que atraiu bolseiros de Harvard, Uppsala, Bona e Londres. Estudou espectrografia com Martin Joos na Universidade de Wisconsin (1950-1951), onde voltaria como professor convidado, fundou em 1952 a «Revista do Laboratório de Fonética Experimental» e orientou a criação dos primeiros laboratórios congéneres da América do Sul, na Baía (1956) e no Rio de Janeiro (1957). Paralelamente à obra científica, cultivou a poesia e o teatro, com mais de uma dezena de peças, faceta hoje quase esquecida de que esta tragédia é testemunho. Jubilou-se em 1972 e morreu em Coimbra, cidade onde, em Março de 1945, assinou a dedicatória deste exemplar, já como director do laboratório. Brochura editorial com capa ilustrada, apenas apresentando ligeiros sinais de manuseamento. Miolo com alguns picos de acidez. Extremamente raro.