Leilão Bidspirit | [d'Ardène, Jean-Paul de Rome] -
[d'Ardène, Jean-Paul de Rome] - TRAITÉ DES TULIPES. A Avignon. Chez Louis Chambeau, Imprimeur-Libraire. 1765. 252 (4) pp.; 2 desd. 15,2 x 8,4 cm. il. E. - Segunda edição desta que é uma das primeiras obras em língua francesa inteiramente dedicadas à tulipa. Esta flor era então muito apreciada e de elevado preço, de tal modo que, no séc. XVII, levou mesmo a uma pequena crise nas Províncias Unidas dos Países Baixos, no que ficou conhecido como a ”Tulpenmanie” (Mania das Tulipas), que é considerada a primeira bolha especulativa da história. Abre com uma extensa resenha bibliográfica dos autores que antes trataram o assunto. Segue-se um léxico dos termos técnicos da floricultura, indispensável à leitura do tratado. O autor trata depois da história, da descrição e da beleza das tulipas e passa à cultura propriamente dita: a propagação por semente e por bolbo, os cuidados após a floração, as épocas próprias para plantar e arrancar, as doenças, &c. As gravuras são abertas por Duflos e mostram pormenores da flor (5 figuras), do fruto e dos bolbos (9 figuras). Jean-Paul de Rome d'Ardène (1689-1769), oratoriano, botânico e agrónomo provençal, nasceu na bela Mane, na Alta Provença. Era filho de Honoré de Rome, senhor d'Ardène, comissário das galés e inspector das florestas da Provença, que em 1686 mandara construir o castelo d'Ardène. Estudou retórica e filosofia no colégio de Marselha e entrou para o Oratório de Aix-en-Provence em 1708. Estudou depois teologia em Arles e ensinou humanidades em Marselha. A saúde frágil levou-o a recolher-se em 1714 às terras da família, em Saint-Michel, hoje Saint-Michel-l'Observatoire, sem nunca deixar a congregação. Foi ordenado presbítero em 1718. No domínio d'Ardène dedicou toda a vida à botânica, à horticultura e às plantas medicinais, cujo conhecimento punha ao serviço da gente da região. Deixou uma série de tratados sobre flores de jardim, muito estimados pelos floricultores do seu tempo. O primeiro foi o Traité des renoncules (1746), ilustrado com gravuras de Nicolas Lesueur e Benoît Audran, que teve tão boa recepção que foi reimpresso duas vezes. Seguiram-se o Traité des jacinthes (1759), o Traité des tulipes (1760) e o Traité des œillets (1762). Escreveu ainda Lettres sur l'exercice de la médecine (1759), Abrégés de jardinage (1767) e L'Année champêtre (1769). Em 1767 reuniu e publicou as obras póstumas do irmão, o fabulista Esprit-Jean de Rome d'Ardène (1684-1748). Morreu em Ardène em 1769. Encadernação coeva em carneira mosqueada e lombada com ferros a ouro; bastante manuseada. Interior limpo; caderno solto. Conserva as duas belíssimas gravuras. Muito raro.