Leilão Bidspirit | 1 ALMANAK PARA 1852 E
1 ALMANAK PARA 1852 E 1 LUNARIO PERPETUO DE 1855. - Bruschy, M. M. da S. - ALMANAK PORTUGUEZ PARA 1852. Lisboa. Imprensa de Francisco Xavier de Sousa. 1851. 224 pp. 15 x 9,7 cm. il. E. Almanaque para o anno de 1852 organizado por Manuel Maria da Silva Bruschy (1813-1873). Bruschy nasceu no Rio de Janeiro, numa família ligada à corte que acompanhou D. João VI no regresso ao Reino. Ainda estudante em Coimbra, alistou-se nas fileiras de D. Miguel durante a guerra civil e serviu como tenente de engenharia. Depois da Convenção de Évora Monte partiu para o exílio. Estudou medicina no Rio de Janeiro e ciências naturais em Paris. Em 1837 alistou-se nas tropas carlistas e tomou parte na Expedição Real. Foi feito prisioneiro, libertado por Ramón Cabrera e colocado na engenharia do exército de Aragão e Valência, onde chegou a tenente-coronel de infantaria. Voltou a ser preso na queda de Cañete e foi expulso de Espanha. Regressou pobre a Portugal e foi acolhido pelo comendador José Pereira Palha, que o fez preceptor dos filhos em Coimbra. Pôde assim concluir o bacharelato em Direito. Fixou-se depois em Lisboa como advogado de nomeada e deixou obra de jurisprudência: as ”Annotações ao Compendio de Direito Romano de Waldeck” (1846) e o ”Manual do Direito Civil Portuguez” (1868). Escreveu também o drama histórico ”D. João Primeiro” (1841), com José Maria da Silva Leal, e o estudo ”Portugal e o seu Exército” (1867). Foi sócio fundador do Grémio Literário, onde criou e regeu um curso de direito romano, e cavaleiro professo da Ordem de Cristo. Fiel ao legitimismo toda a vida, esteve entre os fundadores e directores do jornal ”A Nação” e deste ”Almanak Portuguez”, órgãos do Partido Miguelista. Faleceu em Lisboa. Retrato litografado de D. Miguel de Bragança, então no exílio, oposto à folha de rosto. Encadernação coeva singela com lombada em tela. Ténues manchas de humidade apenas no pé da gravura e na folha de rosto. Sousa, Raphael Carlos Pereira e - LUNARIO PORTUGUEZ. Porto. Typ. de J. Lourenço de Sousa. 1855. 191 - III (5) pp. + 1 desd. 15 x 10,5 cm. il. E. Lunário composto por Raphael Carlos Pereira e Sousa (1821- após 1885), autor do «Borda Leça», com prognósticos dos planetas e das estações, ilustrado com pequenas gravuras. Pereira e Sousa nasceu em Viseu a 3 de Março de 1821, mas cedo deixou a terra natal. Em Ponte de Lima conheceu um boticário cuja livraria lhe deu ocasião de ler muito e de se instruir por conta própria. Fixou-se depois em Pedras Rubras, na freguesia de Moreira da Maia, onde casou em 1848. Homem de mil ofícios, exerceu, muitas vezes ao mesmo tempo, os de ferrador, pintor, alfaiate, tamanqueiro, fogueteiro, endireita, alveitar, mestre-escola e astrónomo. É-lhe atribuída a primeira numeração de portas e a primeira toponímia de Moreira e de parte do concelho da Maia. Ficou sobretudo conhecido como autor do «muito acreditado» Almanak-Repertorio Borda Leça, publicado a partir de 1849 e editado até ao séc. XX, que gozou de grande popularidade no Norte do País. Escreveu ainda o ”Livro do Futuro ou a Arte de Adivinhar”, ”A Pyrotechnia ou o Novo Manual do Fogueteiro” e a ”Nova Veterinaria ou Compendio de Medicina Veterinaria Theorico e Pratico”. Em 1885, o padre Vieira Neves estranhava, na Revista da Maia, que vivesse ainda pobre. Ornado com pequenas e curiosas vinhetas xilogravadas com matrizes aparentemente do séc. XVIII ainda em uso. No final do vol. contém um desdobrável com uma tabela das festas religiosas móveis, como a Páscoa, Corpus Christi, Espírito Santo, &c. Encadernação coeva com lombada em pele ornada a ferros de ouro; cansada. Vinheta de catalogação e assinatura de posse na guarda de abertura. Bastante invulgar.