Leilão Bidspirit | [BRAGA] MEMORIAS DO SAMEIRO, &c.
[BRAGA] MEMORIAS DO SAMEIRO, &c. 1882. - MEMORIAS DO SAMEIRO OU NARRAÇÃO CIRCUMSTANCIADA DA ORIGEM E REALIZAÇÃO DAS OBRAS DO MONUMENTO DA IMMACULADA CONCEIÇÃO DA SS. VIRGEM E DA CAPELLA COMMEMORATIVA DA DEFINIÇÃO DOGMATICA DA INFALLIBILIDADE PONTIFICIA PROJECTADA NO MONTE SAMEIRO, SUBURBIOS DE BRAGA. Coimbra. Typographia da «Ordem». 1882. 224 pp. 17 x 10,8 cm. E. Primeira edição. Obra de história apologética que narra a origem e a construção do monumento à Imaculada Conceição e da capela comemorativa do dogma da infalibilidade pontifícia, no Monte do Sameiro, nos arredores de Braga. Os dois dogmas foram proclamados por Pio IX, em 1854 e em 1870, e o Sameiro nasceu em grande parte como homenagem ao papa e à sua reforma ultramontana. Nasceu também como resposta portuguesa a Lourdes, com que a imprensa da epocha o comparava, apesar de ali não haver registo de aparições ou milagres. O monumento foi iniciado pelo padre Martinho António Pereira da Silva, teólogo, e a primeira pedra foi lançada a 14 de Junho de 1863. A imagem da Virgem foi esculpida num só bloco de mármore de Lisboa, nas oficinas portuenses de Emygdio Carlos Amatucci. Assentava num globo ornado de cabeças de serafins, obra do escultor João Correia de Lacerda, e foi colocada no seu lugar a 12 de Agosto de 1869. Estas ”Memorias” saíram dos prelos poucos meses antes da destruição do monumento, que ruiu na noite de 9 de Janeiro de 1883, durante uma violenta tempestade. A vistoria dos peritos atribuiu o desastre a um raio e à má construção. A imprensa liberal e anticlerical troçou abertamente da santa partida pelo raio, e Bordallo Pinheiro fez o mesmo n'O António Maria. Já a imprensa católica e legitimista defendeu que se tratara de um atentado a dinamite. O caso, a que não foi alheia a rivalidade com o vizinho santuário do Bom Jesus, nunca foi esclarecido. Este volume contém, por isso, a última descrição pormenorizada do monumento primitivo. Refere várias vezes o alto pedestal de granito e as inscrições latinas gravadas nas suas quatro faces, que resumiam a história do dogma da Imaculada Conceição. Esse testemunho desmente as descrições erradas de alguns jornais de 1883, mais tarde repetidas por Antonio Arroyo. Em 1886 erguia-se no mesmo local um novo monumento, e, em 1890, começava a construção do grande templo, concluído só em 1953. Nascia assim aquele que viria a ser um dos principais santuários marianos do País, só ultrapassado por Fátima no séc. XX. Bom estado geral de conservação. Encadernação meia-francesa coeva; com sinais de manuseio. Lombada com pequena separação à cabeça no festo com a pasta anterior. Raro. Bibliografia auxiliar: Barreto, J. (2018) «O mistério do Sameiro. A polémica em torno da destruição do monumento à Imaculada em 1883». In Bracara Augusta, vol. LXV, n.º 123.