Leilão Bidspirit | BALTAZAR GOMES FIGUEIRA (1604-1674) E


BALTAZAR GOMES FIGUEIRA (1604-1674) E JOSEFA DE ÓBIDOS (OU DE AYALA) (1630-1684) - ”Mês de Abril” (c. 1668). BALTAZAR GOMES FIGUEIRA (1604-1674) E JOSEFA DE ÓBIDOS (OU DE AYALA) (1630-1684) ”Mês de Abril” (c. 1668) óleo sobre tela inscrição manuscrita ”Pascoa de flores Abril/[...]/quando Alleluya amanhece/[...]; Obidos” reentelado, restauros assinado ”Obidos” Dimensões (altura x comprimento x largura) - 111,5 x 176 cm Notas: etiqueta com a referência ”4361 - Marqueses de Sabugosa” colada no verso. Integrou as exposições: ”Exposição das pinturas de Josefa de Óbidos”, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, 1949, nº 14; ”Pintura Portuguesa do séc. XVII. Histórias, lendas, narrativas”, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, 2004, estando reproduzida no respectivo catálogo, pp. 124-125, nº 39; ”Josefa de Óbidos e a Invenção do Barroco Português”, Museu Nacional de Arte Antiga, 2015, encontrando-se reproduzida no respectivo catálogo, p. 103, nº 29. Embora não tenha integrado outras duas exposições, a presente obra também se encontra representada em: 1) Exposição “Josefa de Óbidos e o tempo Barroco”, realizada na Galeria de Pintura do Rei D. Luís, Palácio Nacional da Ajuda, em 1991. Lisboa: Instituto Português do Património Cultural/TLP, p. 156, onde o título “Mês de Agosto” se encontra mal atribuído, uma vez que as inscrições não tinham ainda sido descobertas, de acordo com o texto que acompanha a obra no catálogo da exposição ”Pintura Portuguesa do séc. XVII. Histórias, lendas, narrativas”, realizada no Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa, 2004, estando representada no respectivo catálogo, pp. 124-125, nº 39; 2) e no catálogo da exposição “Josepha na Ogiva”. Óbidos: Galeria Ogiva, 1972, s.p, s.n, sob o título “Doces e Flores”; 3) em CAETANO, Joaquim de Oliveira, ”Reading the Fate of the Christ Child - New Masterpiece by Josefa de Ayala (1630-1684). Montevideo: Jaime Eguiguren Art & Antiques, pp. 54-55, fig. 16, onde se refere que na literatura da época, que serviu de inspiração à pintura ”A leitura da sina do Menino Jesus” (1667), as figuras referem-se a Jesus como ”Páscoa e flores” a mesma expressão que está na legenda. É também identificável numa fotografia dos interiores do Palácio dos Condes e Marqueses de Sabugosa, arquivo de Imagens de Mário Novais, actualmente na Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian e em http://acasasenhorial.org/acs/index.php/pt/fontes-documentais/fotografia/277-palacio-dos-condes-de-sabugosa, consultado a 9-11-2022 às 14:55. ”AS MUITAS INTERROGAÇÕES DAS PINTURAS DOS «MESES» No centro da revisão da obra que estes autores, na sequência dos mencionados estudos de Vitor Serrão, atribuíram a Baltazar Gomes Figueira e a Josefa de Óbidos, e como ponto de contacto, quase de charneira, da produção de ambos no campo da natureza morta está a série (ou as séries), conhecida como «dos meses», seis pinturas a que os autores juntam, numa nova proposta, uma sétima, um quadro do Museu dos Uffizi, Florença, cuja inclusão no grupo, porém, não deixa de ser problemática. As obras foram mostradas juntas uma única vez na exposição do Museu Nacional de Arte Antiga, em 1949 (nos. 11 a 16). Uma das versões do Mês de março (cat. 27) pertencia ao conde de São Martinho e outra a uma coleção particular não identificada (cat. 28). O possível Mês de agosto (identificado como Frutos e barros, cat. de 949, n.° 13) e o que se supõe ser o Mês de abril (designado como Doces e flores, cat. de 1949. n.° 14) (cat. 29) pertenciam aos condes de Sabugosa e Murça. Os outros dois quadros, um apresentado como Frutas e legumes (cat. de1949, nº15), que se refere provavelmente ao mês de julho (fig. 32), e o do Mês de maio (fig. 33) (cat. de 1949, n.° 16), pertenciam ao conde de Arnoso. As pinturas n.ºs 11, 15 e 16 do referido catálogo estão datadas de 1668 e apresentam a inscrição Obidos. Estas pinturas, e a pintura n.° 13, têm inscrita (total ou parcialmente visível) uma quadra o que, juntamente com a diversidade dos frutos, legumes e animais em primeiro plano, permitem relacioná-las com um dos meses do ano. Como o mês de março se encontra repetido, podemos supor que das oficinas de Óbidos saíram pelo menos duas séries alusivas ao calendário, cada uma, obviamente, com os doze meses, utilizando composições semelhantes. As representações dos elementos, dos continentes, dos cinco sentidos foram usadas em séries que tratavam alegoricamente a diversidade do mundo, do tempo e dos sentidos, utilizando frequentemente e misturadas com figuras e/ou paisagens, naturezas-mortas, flores, frutos objetos, nos quais era fácil reconhecer uma relação simbólica com o tema tratado. Séries de gravuras de Adriaen Collaert e de Crispijn de Passe, ou de pinturas de Jan Brueghel, Bassano on Barrera, muitas delas abundantemente copiadas, tornavam o tema dos meses ou das estações facilmente reconhecível. Refira-se que o maior tratado sobre símbolos conhecido no século XVII,