Leilão Bidspirit | Retrato de Juan Martín Díez
Retrato de Juan Martín Díez - El Empecinado (1775-1825) - óleo sobre tela escola Espanhola séc. XIX (1º quartel) reentelado, pequenos restauros, pequenas faltas na camada pictórica Dim. - 80 x 60 cm Notas: O presente retrato representa Juan Martín Díez, mais conhecido por “El Empecinado”, famoso militar e herói espanhol, celebrizado por enfrentar, com rara bravura, o exército napoleónico durante a Guerra da Independência Espanhola. Nascido em Castrillo de Duero, província de Valladolid, em 1775, Juan Martín mostrou desde cedo possuir vocação militar, apesar de se dedicar à agricultura com os seus pais, Juan Martín e Lucía Díez. Aos 15 anos tentou juntar-se ao Regimento de Cavalaria Lanceiros de Farnese, sem sucesso. Só depois de atingir a maioridade pôde aderir à campanha da Guerra da Convenção (também conhecida como Guerra do Rossilhão ou Guerra dos Pirenéus), alistando-se como voluntário no 7º Regimento de Cavalaria Lanceiros de Espanha. Aí recebeu formação bélica, durante dois anos, tendo chamado a atenção do general Ricardo Castaños que, impressionado com a valentia e invulgares qualidades do jovem vallisoletano, o escolheu para seu assistente. Neste papel teve a oportunidade de conhecer os pontos fortes e fracos dos exércitos, com especial destaque para a compreensão da eficácia de pequenos grupos independentes organizados em guerrilhas. Estes, devido à sua familiaridade com o terreno, e à rapidez com que actuavam, conseguiam surpreender e enfrentar grupos que os ultrapassavam em número de efetivos e em experiência, armando emboscadas aos soldados e aos mensageiros adversários, e investindo sobre eles com grande eficácia. Acabada a guerra, instalou-se em 1796 com a sua mulher Catalina de la Fuente, como agricultor, em Fuentecén. Contudo, em 1808, o exército napoleónico invadiu o território espanhol e “El Empecinado” decidiu voltar a combater. Numa primeira investida, organizou um pequeno grupo ofensivo, juntando familiares e vizinhos, unindo-se posteriormente às tropas espanholas, que por falta de experiência e instrução, eram facilmente derrotadas pelos franceses. Percebeu então que o sistema anterior, de pequenos grupos de guerrilheiros posicionados ao longo de várias localidades, tinha uma maior eficácia no combate aos franceses, uma vez que conheciam bem o terreno e desgastavam continuadamente as tropas adversárias. Tornou-se então num grande apologista destas guerrilhas, ganhando fama pela sua valentia e pelo seu carácter obstinado e resiliente, de tal forma vincado que conseguiu alterar o próprio significado do seu ápodo. De facto, o nome pelo qual ficou conhecido – El Empecinado – de pecina, pez (lodo, que se encontrava estanque perto da vila natal de Juan Martín), que se aplicava aos habitantes daquela vila em geral, (“pescinados”) com o significado de “sujos, mal cuidados”, é hoje sinónimo de pessoa determinada e valente, empenhada e persistente sem nunca ceder até alcançar os seus objectivos. Em Outubro de 1808, foi outorgado por ordem real, a don Juan Martin Diez, o privilégio de usar o sobrenome de “Empecinado”, para si, seus filhos, e seus herdeiros. E foi essa a assinatura que passou a utilizar. Em menos de um ano foi promovido a Tenente e depois a Capitão de Cavalaria, ficando responsável por todas as guerrilhas da região de Guadalajara. Em 1809, foi nomeado Comandante de Cavalaria Ligeira. As guerrilhas chegaram a ser comparadas com cabeças de Hidra, tal a sua resistência e dificuldade em serem aniquiladas de vez; e Napoleão chegou a designar um general, Joseph Hugo, (pai do escritor Vitor Hugo) para matar El Empecinado e os seus homens. Não o conseguindo, tomou como reféns a mãe e alguns familiares do recém-comandante, ameaçando fusilá-los. Mas Juan Martín ameaçou matar mais de uma centena de prisioneiros franceses, o que levou o general Hugo a recuar, vindo a ser substiuído nesta missão pelo general Balliarce, autor da expressão que acrescentaria notoriedade a Juan Martin: “É impossível acabar com o Empecinado!” Pela sua contínua e firme resistência ao exército francês, percorrendo diversas províncias espanholas, tornava-se cada vez mais famoso, convertendo-se num heroi em toda a Espanha. Foi nomeado Brigadeiro de Cavalaria na segunda metade do ano de 1810 e criou o Regimento de Hussardos de Guadalajara, em 1811, uniforme com o qual se apresenta no retrato que agora a Cabral Moncada Leilões leva à praça. El Empecinado foi adicionando batalhas à sua lista, chegando a Madrid em 1812 onde conseguiu a rendição das tropas francesas e a consequente oficialização da Constituição de Cádis (La Pepa). No entanto, o regresso do exilio francês de Fernando VII de Espanha, em 1814, resultou no retorno à antiga constituição, instaurando-se assim o absolutismo real. Chegou a ser promovido a Marechal de Campo por Fernando VII (o que contribuiu para a sua fama de Marechal – Guerrilheiro), mas ganhou a inimizade do rei quando lhe pediu o retorno ao sistema constitucional de 1812,