Leilão Bidspirit | MANUSCRITO. VICTORIA (Anrique Ayres); [anónimo
MANUSCRITO. VICTORIA (Anrique Ayres); [anónimo quinhentista]. TRAGEDIA da Vingança que Foy Feita Sobre a Morte del Rey Agamenon - BREVE SUMMARIO dos Reys de Portugal. 1841, 24 de Junho. - VICTORIA (Anrique Ayres); [anónimo quinhentista]. Tragedia da vingança que foy feita sobre a morte del Rey Agamenon . Agora novamente tirada de Grego em lingoagem: trovada por Anrique Ayres victoria. Cujo argumento he de Sophocles poeta grego. Agora segunda vez impressa e emendada e anhadida pello mesmo Autor. – Breue Summario dos Reys de Portvgal, desdo prymeiro rey dom Affonso Anriques atee el rey dom Ioam ho terceyro nosso senhor que hora reyna. Foy tirado das chronicas do Reyno. [S.l.], 1841, 24 de Junho. Manuscrito sobre papel, cópia oitocentista de edições quinhentistas; 1 v.: [1] ff. com indicação do copiador, [20] ff. para Tragedia…, [1] ff. em branco, [8] ff. para Sumario… , 20 ff. em branco. Encadernação oitocentista em carneira mosqueada, lombada com nervos e ferros dourados. Volume que reúne duas transcrições integrais: Tragédia da vingança que foy feita sobre a morte del Rey Agamenon , de Anrique Ayres Victoria, adaptação em verso da Electra de Sófocles, cuja edição original conhecida é um 4.º de 24 folhas, impresso em Lisboa por Germão Galharde em 1555, com portada xilográfica, sem numeração de páginas. O copista reproduz não apenas o texto, mas também o enquadramento ornamental, o título e o colofão quinhentistas, incluindo a indicação: «Acabouse aos VI dias de Novembro de mil e quinhentos e cincoenta e cinco anos». Breue Summario dos Reys de Portvgal , compêndio anónimo da história dos reis portugueses desde D. Afonso Henriques até D. João III, cuja edição original é um 4.º de oito folhas (16 páginas), em letra gótica, sem menção de lugar nem de impressor, datado apenas «M.D.L.V.» e com portada de gravura em madeira. Também aqui a cópia segue de perto o modelo impresso, com reconstituição à pena da arquitectura da portada. Na frente da primeira folha do manuscrito lê-se a nota em caligrafia coeva: «Em quinta feira, dia de S. João de 1841, fiz esta copia à vista do original, e a conferi com o meu amigo o Senhor F. A. de Varnhagen.» A data indicada corresponde a 24 de Junho de 1841 , efectivamente uma quinta-feira (festa de S. João Baptista). A fórmula empregue sugere que a cópia foi feita por mão não identificada e colacionada com o historiador Francisco Adolfo de Varnhagen (1816–1878), então já ligado à investigação de fontes históricas em arquivos portugueses. Do ponto de vista bibliográfico, este manuscrito antecede em várias décadas qualquer reprodução tipográfica conhecida destas obras. Assim, a presente cópia manuscrita de 1841 representa um testemunho muito precoce da redescoberta oitocentista destas raras edições portuguesas do século XVI, provavelmente realizada em contexto erudito e de trabalho de arquivo. Francisco Adolfo de Varnhagen, visconde de Porto Seguro (São João de Ipanema, Sorocaba, 17-II-1816 – Viena, 26-VI-1878), foi militar, diplomata e um dos principais renovadores da historiografia luso-brasileira no século XIX. Formado em engenharia militar e diplomática em Lisboa, serviu nas guerras liberais, trabalhou extensamente em arquivos portugueses e espanhóis e fez carreira diplomática ao serviço do Império do Brasil. A sua História Geral do Brasil (1854–1857) é considerada obra fundadora da historiografia brasileira, valendo-lhe o epíteto de «pai da História do Brasil» e o lugar de patrono da cadeira 39 da Academia Brasileira de Letras.