Leilão Bidspirit | NOVO CANCIONEIRO. Coimbra. 1941-1944.
NOVO CANCIONEIRO. Coimbra. 1941-1944. - NOVO CANCIONEIRO . Coimbra: [s.n.], 1941-1944. 10v.; 235 mm. Brochado; Dedicatórias autógrafas dos autores nos volumes de Fernando Namora, Manuel da Fonseca e Carlos de Oliveira; acidez; marca de posse no volume de Mário Dionísio. Colecção de poesia publicada em Coimbra entre 1941 e 1944, reunindo dez livros de estreia ou afirmação de outros tantos poetas jovens, numa das mais significativas manifestações colectivas da literatura portuguesa do século XX. Os dez volumes que a constituem são: 1. NAMORA (Fernando), Terra, 1941; 2. DIONÍSIO (Mário), Poemas, 1941; 3. COCHOFEL (João José), Sol de Agosto, 1942; 4. NAMORADO (Joaquim), Aviso à Navegação, 1941; 5. FEIJÓ (Álvaro), Os Poemas de Álvaro Feijó, 1941; 6. FONSECA (Manuel da), Planície, 1942; 7. OLIVEIRA (Carlos de), Turismo, 1942; 8. MURALHA (Sidónio), Passagem de Nível, 1943; 9. TENREIRO (Francisco José), Ilha de Nome Santo, 1942; 10. SANTOS (Políbio Gomes dos), Voz que Escuta, 1944. O Novo Cancioneiro não foi precedido de manifesto, programa ou declaração de princípios. Esta ausência de formalização doutrinária conferiu à colecção uma certa liberdade de estilos. O denominador comum era outro: uma poética aberta ao social e à luta de classes, em oposição directa ao intimismo da geração da Presença e ao regime salazarista. Os poetas do Novo Cancioneiro respondiam à poesia centrada no indivíduo com uma poesia de intervenção e de fraternidade, influenciada por Cesário Verde e Álvaro de Campos, mas voltada para o mundo do trabalho, da planície alentejana, das ruas da cidade e dos operários do campo. A repercussão da colecção foi imediata e duradoura, amplificada por sessões de leitura promovidas em colectividades populares por todo o país. Muitos dos seus autores viriam a distinguir-se noutros géneros: Fernando Namora e Manuel da Fonseca na prosa de ficção, Carlos de Oliveira no romance, Mário Dionísio no ensaio e na crítica de arte. Francisco José Tenreiro, nascido em São Tomé, é considerado um pioneiro da poesia negro-africana de expressão portuguesa. A colecção completa nas edições originais é hoje muito rara no mercado. O primeiro volume, Terra de Fernando Namora, teve os seus exemplares apreendidos e queimados no pátio do Governo Civil de Coimbra logo após a impressão, o que o torna o mais escasso dos dez. MUITO RARO.