Leilão Bidspirit | REDOL (Alves). CICLO PORT-WINE. Lisboa.


REDOL (Alves). CICLO PORT-WINE. Lisboa. 1949. - REDOL (Alves) CICLO PORT-WINE . Lisboa: Publicações Europa América, 1949. 3 v.; 195 mm. Encadernações uniformes, com lombada e cantos em pele; conserva as capas de brochura; apenas ligeiramente aparado à cabeça. Trilogia composta pelos romances Horizonte Cerrado (1949), Os Homens e as Sombras (1951) e Vindima de Sangue (1953), publicados pelas Publicações Europa-América. António Alves Redol (Vila Franca de Xira, 1911 - Lisboa, 1969) é o fundador do neorrealismo português com Gaibéus (1939), obra que ele próprio definiu, modestamente, como ”documentário humano” mais do que obra de arte. Antes do Ciclo Port-Wine , já havia traçado os contornos da sociedade ribatejana em Marés (1941), Avieiros (1942) e Fanga (1943). Militante comunista e opositor do Estado Novo, os seus livros foram sujeitos a censura prévia entre 1944 e 1958. O Ciclo Port-Wine constitui o projecto romanesco de mais dilatadas ambições de toda a obra de Redol. A trilogia abarca os primeiros quinze anos do século XX - dos derradeiros anos da monarquia a meados da República, entre 1907 e 1915 - e tem como eixo a família dos ”Teimas”, pequenos viticultores do Douro que recusam, apesar de todas as adversidades, abandonar as suas terras. No centro da acção, uma intensa história de amor e adultério entre Francisco, o filho da família, e a cunhada Gracinda. O cenário é a região duriense em toda a sua dureza social e paisagística: as vinhas em socalco, a exploração dos trabalhadores agrícolas, a dependência do comércio do vinho do Porto face ao capital estrangeiro - dimensão denunciada por Alexandre Pinheiro Torres como a decifração económica subjacente ao ciclo. Vindima de Sangue encerra a trilogia com o relato verídico do massacre da população vinhateira em Lamego. A capa do primeiro volume foi ilustrada por Júlio Pomar; a do terceiro por Lima de Freitas. Horizonte Cerrado valeu a Redol o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa em 1950. A trilogia alia, no dizer da crítica especializada, qualidade literária a rigor antropológico e etnográfico, no que representa a linha mais ambiciosa do neorrealismo português - e, segundo o Museu do Neo-Realismo, ”não há uma obra de ficção em toda a literatura portuguesa que se lhe compare quanto à ambição dos propósitos”. Conjunto completo. Raro e estimado.