Leilão Bidspirit | NOBRE (António). SÓ. Lisboa. 1898.
NOBRE (António). SÓ. Lisboa. 1898. - NOBRE (António) SÓ . 2.ª ed. Lisboa: Guillard, Aillaud & C.ª, 1898. 172, [4] pp.: il.; 200 mm. Encadernação com lombada em pele; ligeiramente aparado. Só é a única obra publicada em vida por António Nobre (Porto, 1867; Foz do Douro, 1900) e um dos marcos absolutamente centrais da poesia portuguesa do século XIX. A primeira edição saiu em Paris em 1892, pela casa de Léon Vanier — o mesmo editor de Verlaine, Mallarmé e Rimbaud —, numa tiragem reduzida que circulou sobretudo no meio intelectual lisboeta e que o próprio autor descreveu como «o livro mais triste que há em Portugal». A edição de 1898, revista, aumentada e ilustrada, foi a segunda e última feita em vida do autor, que morreria dois anos depois, com apenas trinta anos, vencido pela tuberculose. A distância entre as duas edições é decisiva para a compreensão da obra: as alterações introduzidas em 1898 são radicais, tanto nos cortes e acrescentos como na revisão minuciosa dos poemas, reordenados em secções que compõem uma biografia mítico-simbólica do sujeito. A edição de 1898 é, em suma, a forma definitiva do livro, aquela que o poeta considerou como expressão acabada da sua poética — uma síntese de ultrarromantismo, decadentismo e simbolismo francês, com o uso inovador do discurso coloquial e da diversificação rítmica e estrófica. Pela sua qualidade intrínseca e pela sua condição de única edição autorizada em Portugal, a edição de 1898 é invulgar e muito estimada pelos coleccionadores e bibliófilos.