Leilão Bidspirit | MORAES (Wenceslau de). CARTAS DO


MORAES (Wenceslau de). CARTAS DO JAPÃO: 2.ª série. Lisboa. s.d. - MORAES (Wenceslau de) CARTAS DO JAPÃO: 2.ª série . Lisboa: Portugal Brasil Sociedade Editora, s.d. 3 v.: il.; 190 mm. Brochado; por abrir; capas de brochura empoeiradas. Segunda série das Cartas do Japão , reunindo a correspondência que Wenceslau de Moraes enviou entre 1907 e 1913 para as páginas de O Comércio do Porto . Wenceslau José de Sousa de Moraes (Lisboa, 1854-Tokushima, 1929) foi oficial da Marinha portuguesa, consul de Portugal em Kobe e Osaka entre 1899 e 1913, e o mais profundo intérprete da alma e da cultura japonesa em língua portuguesa. Depois de anos em Macau e de visitas repetidas ao Japão, instalou-se definitivamente em Kobe, onde converteu ao budismo e contraiu união de facto com a ex-geisha Fukumoto Yoné (Ó-Yoné), com quem viveu treze anos. A morte de Ó-Yoné em 1912 marcou o começo do seu afastamento definitivo do mundo. Em 1913 pediu exoneração do posto consular e da Marinha, retirou-se para Tokushima, cidade natal de Ó-Yoné, onde viveu com Ko-Haru, sobrinha da falecida, que também morreria poucos anos depois. Mergulhado numa solidão cada vez mais completa, cada vez mais japonês na sua forma de vida, Moraes manteve o contacto com Portugal unicamente através da escrita, visitando diariamente os túmulos das duas mulheres e produzindo até ao fim algumas das suas páginas mais profundas. As Cartas do Japão, escritas de 1902 a 1913, em seis volumes no total, constituem o núcleo da sua obra de divulgação: aguarelas da paisagem nipónica, retratos de costumes e festividades, sondagens da psicologia japonesa, tudo numa prosa elegante e de colorido inconfundível que lhe valeu a comparação com Lafcadio Hearn, o seu contemporâneo americano que também se radicou no Japão. Os japoneses reconheceram nele o estrangeiro que mais fundo penetrou no conhecimento da sua alma: ergueram-lhe dois monumentos, em Tokushima e em Kobe, e um museu. Procurado.