Leilão Bidspirit | VASCONCELLOS E SÁ (José Maria
VASCONCELLOS E SÁ (José Maria de). HISTÓRIA da Construção do Antigo Farol de “Cockburn”. Lisboa. 1951. - VASCONCELLOS E SÁ (José Maria de) HISTÓRIA da Construção do Antigo Farol de “Cockburn” . Lisboa: Tipografia da Liga dos Combatentes da Grande Guerra, 1951. XXIV-228 pp., 53 est.: il.; 250 mm. Brochado; capa de brochura anterior solta. Relato circunstanciado da construção do farol do Baixo de Cockburn ( Cockburn Shoal ), na entrada da baía de Lourenço Marques, obra que obrigou a sucessivas e dramáticas tentativas de montagem. O baixo constituía um perigo temível para a navegação: segundo o prefácio, de 1894 a Abril de 1899 perderam-se na baía pelo menos oito navios por falta de um farol que o assinalasse. O plano de balizagem e alumiamento da baía, elaborado pelo comandante Augusto Cardoso, previa um sistema de boias luminosas e um farol junto à ponta norte do baixo; a Comissão dos Melhoramentos do Porto, criada em Janeiro de 1896 pelo Comissário Régio António Ennes, ficou encarregada da obra. A casa francesa Schneider & C.ª (Le Creusot), com quem se contratou em Novembro de 1896, perdeu quatro andaimes em cerca de 19 meses e obteve a rescisão do contrato. Seguiram-se os engenheiros ingleses Bell & Wilson, contratados em Novembro de 1898, que perderam outros dois andaimes e viram o contrato rescindido em Agosto de 1899. Criara-se então em Lourenço Marques a lenda das dificuldades invencíveis desta montagem, e a situação da classe comercial da cidade, castigada pelos riscos, pelos fretes e pelas sobretaxas dos seguros marítimos, era desesperada. À sétima tentativa, a direcção foi confiada ao então tenente de engenharia José Maria de Vasconcellos e Sá, director interino das Obras do Porto. O livro descreve o transporte do andaime em 3 a 5 de Abril de 1900, ao longo de mais de 40 quilómetros pela baía, a tempestade de 28-29 de Abril, que o surpreendeu com 19 vidas sobre ele, e os nove meses de trabalhos de construção, durante os quais o baixo foi varrido por dez tempestades registadas no final do volume. Com a inauguração do farol cessaram as pesadas sobretaxas dos seguros marítimos, e o estuário do Espírito Santo passou, segundo a imprensa da época, de porto de perdição a porto de salvamento. O volume inclui prefácio de um amigo e antigo companheiro de serviço do autor, que foi capitão dos portos de Lourenço Marques e Inhambane entre 1895 e 1899, bem como anexos documentais, entre os quais as cartas e os contratos com as casas construtoras.