Leilão Bidspirit | PINTO (Monsenhor). CARTAS autógrafas assinadas,


PINTO (Monsenhor). CARTAS autógrafas assinadas, cosidas em caderno. [Lisboa]. 1826–1828. - PINTO (Monsenhor) CARTAS autógrafas assinadas, cosidas em caderno . [Lisboa], 1826–1828. 17 cartas manuscritas sobre papel, cosidas em caderno; 220 mm. Conjunto de dezassete cartas autógrafas assinadas por «Monsenhor Pinto», escritas entre 22 de Julho de 1826 e Outubro de 1828 e cosidas em caderno. Dirigem-se a um amigo e benfeitor, tratado por «Amigo e Senhor do Coração», a quem o signatário, clérigo apertado de dívidas, recorre em tom ora de confidência ora de súplica. O assunto dominante é o dinheiro: pedidos de ajuda ou de dilação, pequenas remessas, encomendas de roupa (um colete, lenços), dívidas a um José Diniz Thomaz, ao alfaiate e ao barbeiro, e perdas no desconto das cédulas e dos bilhetes, o papel de crédito então em circulação. Aparecem ainda a doença do autor, as dores de dentes, a morte de uma irmã e uma alusão ao Intendente-Geral da Polícia. Nas cartas de 1827 e do princípio de 1828 o autor aguarda a vinda do Senhor Infante, de quem espera justiça e a restituição do que lhe foi tirado; tudo indica tratar-se do Infante D. Miguel, regressado a Lisboa em Fevereiro de 1828, o que coloca o signatário no meio eclesiástico próximo do Infante e dá ao conjunto interesse para o retrato do quotidiano durante a crise política que antecedeu a Guerra Civil. O destinatário é Inocêncio Francisco da Silva, nome que as anotações marginais dão por extenso («Innocencio Fr.co da Sa») e que uma das cartas acompanha da indicação de major da Legião de S. Pedro de Alcântara, em data de 15 [de Setembro] de 1827. Esse posto, em 1827, não pode ser o do bibliógrafo homónimo, autor do Diccionario Bibliographico Portuguez , nascido em 1810, pelo que acreditamos ser o seu Pai o destinatário, de igual nome, e o caderno terá chegado depois ao filho. Correspondência privada de leitura directa e expressiva, reunida de forma coerente num só caderno. Curioso. Lista das cartas, por ordem cronológica: 1. 22 de Julho de 1826: Confia apenas na amizade do destinatário, porque outros faltaram ao prometido; pede socorro para pagar pequenas dívidas e propõe falarem na tarde seguinte. 2. 24 de Março de 1827: Pede desculpa das confianças e solicita, se possível, uma ajuda sem transtorno do destinatário; afirma a sua gratidão. 3. 18 de Abril de 1827: Muito mortificado e aflito, pede que o remedeie com o que lhe for possível, por estar sem dinheiro. 4. 13 de Outubro de 1827: Envergonhado por não poder satisfazer o que deve; refere a morte da irmã, as despesas que causou e a diminuição dos rendimentos, tendo já vendido e empenhado tudo. 5. 25 de Outubro de 1827: Agradece uma oferta de ajuda, mas recusa-a por não querer aumentar as dívidas; pede socorro em papel e espera que a vinda do Infante lhe faça justiça. 6. 27 de Outubro de 1827: Pede que lhe procure um colete e dois lenços e queixa-se das dores de dentes. 7. 6 de Novembro de 1827: Remete vinte e sete tostões e pede paciência, dizendo-se perseguido por todos os lados. 8. [8] de [Novembro] de 1827: Bilhete breve em que pede o favor de uma compra; leitura por confirmar. 9. [16] de [Novembro] de 1827: Pensava remeter o importe do colete, mas não lhe chegou o que esperava e ficou sem dinheiro; pede paciência. 10. [26] de [Novembro] de 1827: Recebeu os lenços; informa o que ainda deve a Guimarães e pergunta a que horas pode ir a casa do amigo. 11. [?] de Dezembro de 1827: Precisa de três lenços brancos e pede um arranjo para pagar ao alfaiate, prometendo o dinheiro para breve. 12. s.d. [antes de Fevereiro de 1828]: Um ataque de moléstia impediu-o de escrever; aflito com as dívidas, espera que a vinda do Infante lhe restitua o que lhe tiraram; carta incompleta nas imagens. 13. 6 de Maio de 1828: Já em melhor saúde, não nega o que deve e espera remir-se neste mês; lamenta as aflições do amigo. 14. 3 de Julho de 1828: Falta ao prometido por perdas no desconto de cédulas e de bilhetes; alude ao Intendente-Geral da Polícia. 15. [?] de Julho de 1828: Informa que uma cédula está nas mãos de uma pessoa, na loja de José Diniz Thomaz, e que avisará logo que a tenha. 16. 27 de Setembro de 1828: Declara as dívidas, entre elas vinte e dois mil e quatrocentos réis a José Diniz Thomaz, recusa a proposta recebida e promete pagar no dia seguinte. 17. 5 de Outubro de 182[8]: Lamenta as perdas nos descontos das cédulas e diz que falará com José Diniz.