Leilão Bidspirit | Diário Náutico da Nau ”D.


Diário Náutico da Nau ”D. João VI”, 1821, 1 vol. - Diário Náutico da Nau de linha ”Don João VI” que trouxe a Família Real do Rio de Janeiro para Lisboa , em 1821. ”MAPPA DA ESQUADRA q. em 26 de Abril de 1821 se fez de Vella da Corte do Rio de Janeiro para Lisboa transportando abordo da Náo D. João Sexto a SS. MM. e AA.: El Rei Nosso Sr., Rainha Nossa Sa., o Serenissimo Sr. Infte. D. Miguel, a Serenissima Sa. Princeza D. Ma. Thereza, e as Serenissimas Sas. Inftas. D. Izabel Maria, D. Maria d'Assumpção, D. Anna de Jezus Ma., e o Serenissimo Sr. Infte. D. Sebastião, e abordo da Fragta. Real Carolina a Serenissima Sa. Princeza D. Ma. Benedita, sendo a mma. Esqdra. Comandada pelo Conde de Vianna Chefe de Esqdra.”, c. 75 p.; 30,2 cm. Documento manuscrito até agora inédito, numa cartonagem forrada a papel estampado ”dominoté” da época. Lombada cansada, com manchas, gastos e defeitos. Pasta anterior a soltar-se. Miolo limpo, com raros picos de acidez. A Nau de linha ”Don João VI” integrou como Nau Capitânia a esquadra comandada pelo então Conde de Viana, Don João Manuel de Meneses, que rumou a Portugal em Abril de 1821, juntamente com as Fragatas ”Princeza Real” e ”Carolina”, a Corveta ”Voador”, o Bergantim ”Reino Unido”, o Iate Real, as Charruas ”Conde de Peniche” e ”Orestes” e os Navios ”7 de Março”, ”Pra. Conde d'Aviz”, ”4 de Abril” e ”Fenix”. Nas primeiras páginas é descrito o embarque, tendo a Família Real chegado pelas ”5 horas e meia da manhã” do dia 25 de Abril de 1821 e como ”em toda a manhã concorrerão abordo todas as pessoas mais distinctas da Corte”. Na manhã de dia 26 ouviram-se ”vinte e hum tiros e muitos vivas” na Barra do Rio de Janeiro, enquanto a esquadra se retirava. É descrito um breve encontro com a Nau inglesa Superb (?) que vinha de Maldonado, cujo Comandante subiu a bordo para cumprimentar Sua Majestade. Ao longo das páginas do diário apontam-se as coordenadas, são descritas as condições de navegação e do tempo - ”Bom tempo, e claro, mar chão, vento variavel, e mta bonnança” - o posicionamento dos Navios da Esquadra - ”com os Navios da Esquadra nos seus lugares” - ou o aparecimento de outros navios. Também tomamos conhecimento de alguns acontecimentos a bordo - ao vigésimo dia de viagem ”pelas 10 e 1/2 da noite faleceu o Confessor de S. Mag. El Rei N. S. e pelas 10 e 1/2 da manhã foi lançado ao mar”. Ao quinquagésimo nono dia de viagem avistaram-se as Ilhas do Corvo e das Flores e a 3 de Julho de 1821 avista-se o Cabo da Roca. A Esquadra aproxima-se da Baía de Cascais, passando pela Fortaleza de S. Julião da Barra chegando finalmente a Belém, enquanto eram saudados por navios, botes e outras embarcações ”cheios de gente”. O Diário Náutico encontra-se assinado pelo Conde (já elevado a Marquês) de Viana, Don João Manuel de Meneses. Esta Nau de linha teve um percurso histórico notável pois já em 1817 foi ela que transportou para o Brasil a Princesa Leopoldina (1797-1826) numa viagem da qual existem interessantes aguarelas de Franz Fruhbeck que retratam a vida a bordo, o que não deverá ter sido muito diferente das condições que a Família Real teve que viver neste regresso. O Arquivo Histórico da Marinha refere ainda que foi nesta Nau transportado ”o corpo da falecida rainha Dona Maria”, sepultada na Basílica da Estrela.